O seu amor era como duas pedras de gelo, cada uma na mão de cada um deles.
O frio provocava-lhes frieiras e dores, gangrenas e feridas que não saravam.
Havia um terceiro amor, em forma de nuvem ténue e inocente que lhes borrifava as mãos com água tépida e lhes aliviava temporariamente o sofrimento.
O gelo dela derrreteu na mão dele e a água escorreu-lhe por entre os dedos, caindo no solo e infiltrando-se rapidamente. Apesar do alívio momentâneo, ele escavou desesperadamente o solo à procura da água do amor dela, mas só encontrou terra seca.
Ao mesmo tempo, o gelo dele permanecia sólido mas igualmente frio e ela teve de o deixar cair da sua mão. A pedra partiu-se em bocados que continuaram ali, gelados de amor, à espera de serem apanhados.
A pequena nuvem chovia desesperadamente, tentando molhar o solo seco de amor dela e derreter os pedaços de gelo de amor dele, numa última tentativa de fusão conjunta numa só poça coesa e feliz.
O solo não molhou. E ele nunca mais a encontrou.
Os pedaços de gelo não derreteram. E ela não quis mais apanhá-los.
Gostaria que a pequena nuvem, quando crescesse, continuasse a molhar com água tépida quem gostasse de ser molhado de amor.
Gostaria que a pequena nuvem não sofresse e nunca viesse a carregar-se de granizo…

