
Não ligo muito ao futebol mas, por força das circunstâncias, tenho tido mais noção sobre a relação que algumas mulheres têm com este desporto, especialmente sobre a classe das Adeptas Ferrenhas.
As Adeptas Ferrenhas são mesmo ferrenhas! Como a grande maioria das mulheres, exaltam a emoção a píncaros inconcebíveis e vociferam quando algo não corre bem para o seu clube, seja durante a transmissão de um jogo, seja como espectadoras no estádio, seja ainda em conversas sobre o tema.
Como não podia deixar de ser, também elas recorrem á gíria e ao calão para reprovarem um passe menos feliz de um jogador ou uma arbitragem mal feita. Dependendo do nível intelectual da Adepta Ferrenha, tais ditos podem tornar-se em verdadeiras obras de arte verbal ou roçar a mais hilariante pérola do discurso popular..
Há dias fui ver o Benfica – Académica. Aceitei o convite de um amigo que não via há tempos e que ia com o filho. Um bom pretexto para ter dois dedos de conversa e ver o puto, que é um fixe. Sou tão pouco ligado ao futebol que, não conseguindo vislumbrar com quem o Benfica ia jogar, tive de me render e passar a “vergonha” de perguntar ao meu amigo, já depois de me encontrar dentro do estádio!
Mesmo não sendo Adepto Ferrenho, senti que algo não está bem, nem no clube com o qual simpatizo, nem com a arbitragem. As “lesões” também são hilariantes. Por momentos pensei que estava a assistir a uma prova do Dakar, tantas foram as vezes que a moto4 entrou no relvado…
Fica assim o testemunho de um quase “outsider”, completamente isento de parcialidade.
Depois de constatar que a águia Vitória precisa de um implante de penas na asa esquerda, tive o prazer de notar aquilo que pareciam uns pompons brilhantes com umas meninas agarradas por baixo (não se conseguia distinguir bem…). Os pompons mexiam-se desenfreadamente ao som de música comercial quando descobri que afinal tinha possibilidade de apreciar as cheerleaders pelos ecrãs gigantes. Que parvo que sou. Perdi a maior parte delas! Deu para perceber que todas tinham cabelo comprido. Ou então que as extensões estavam bem amarradas. No final, de tanta abanadela que levaram, os pompons desfizeram-se e encheram o relvado com um bonito tapete de lixarada dourada e prateada. Espectacular!
O jogo começou. Ao meu lado esquerdo sentou-se uma Adepta Ferrenha com o seu companheiro. Passados alguns minutos e já estava eu num esforço titânico para tentar decorar tudo aquilo que a rapariga dizia. E o que ela dizia, meu deus! Porque penso que vale a pena, aqui vão alguns momentos de intensidade sublime:
“Isto assim não dá, c…lho! Estamos a jogar contra 14, f…-se!”
Como leigo, levei cerca de 3 min. a pensar quem seriam os 14. Felizmente fui lá por raciocínio lógico sem perguntar ao meu amigo, que se encontrava á minha direita.
“O gajo (árbitro) tá cego! Abre os olhos, f…-se! Olha práquilo! Vai apitar pró c…lho!”
Sim, apitar no pénis de alguém foi o que a moça recomendou ao senhor.
“Olha, olha! Lá está o gajo (jogador da Académica) deitado outra vez! Levanta-te c….lho! Ca filha da putice que estes gajos trazem! Tás a ganhar, não é, c…ão?”
Variações sobre o mesmo calão.
“ Vão mas é estudar, menininhos! Tá na época de exames!”
Referindo-se á claque da Académica, obviamente.
“ fiuuu, fiuuuu…. f…-se! Não consigo enfiar os dedos na boca e assobiar como deve ser, c….lho! Tenho de cortar a m…da das unhas, f…-se!”
Referindo-se ás “nails” que ostentava e que lhe impediam um valente assobio a mais uma borrada do árbitro!
Enfim, esta classe, a das Adeptas Ferrenhas, está aí, nota-se e vai ficar! Venham elas para enriquecer o magnifico mosaico que é a nossa sociedade!